Brincando com a comida

Quanto mais a criança se divertir na hora da refeição, mais receptiva ela será a novos alimentos. Assim, ela aprende a comer de tudo e cresce feliz e saudável.

Menina com morangos nos dedosComer pode ser a maior diversão

Para o adulto, a comida é uma eterna fonte de prazer – não é à toa que, na tradição cristã, a gula é um dos sete pecados capitais. Mas para a criança, saborear um quitute novo pode não ser assim tão legal. Por isso, ensinar os filhos a comer de tudo um pouco às vezes é uma tarefa complicada, já que nem sempre eles estão receptivos a sabores e texturas diferentes.

Essa resistência é normal nos primeiros anos de vida. Porém, por mais antipática que uma salada de alface e chuchu possa parecer, é dever dos pais continuar insistindo, com paciência e bom humor. Uma boa estratégia, então, é transformar a hora da refeição num momento lúdico e divertido, que estimule outros sentidos na criança, além do paladar. Um prato cheio de cores e formas inusitadas é uma delícia para os olhos. E tem grandes chances de fazer muito sucesso no estômago também.

“Os alimentos em forma de carinhas ou bichinhos, ou até mesmo mascarados (como um bolinho de espinafre), despertam a imaginação da criança, que acaba ingerindo-os com mais facilidade”, explica a nutricionista Thatiana Galante. Desse modo, sem perceber, ela aprende a apreciar uma gama cada vez maior de sabores, garantindo a cota diária de vitaminas e minerais necessários para crescer com saúde.

Quanto mais colorido, mais saudável

Aliás, caprichar na combinação de cores é uma forma de garantir que a criança consuma uma variedade adequada de nutrientes. Além de mais atrativos e interessantes para o olhar infantil, aqueles pratos bonitos e coloridos são também mais saudáveis. “Cada cor de alimento fornece determinado tipo de nutriente. Logo, quanto mais cores, mais nutrientes”, explica Thatiana.

Outra técnica que costuma dar certo é envolver a criança no preparo das refeições. Os mais crescidinhos podem até ajudar a arrumar a mesa e a servir. Para os mais novos, a dica é investir no contato físico com o alimento, já que eles adoram “brincar” com a comida. Atividades desse tipo evitam que a hora da refeição caia na mesmice. “Para vencer a rotina, uma boa saída é deixar a criança pegar o alimento, colocar no prato; ensinar os nomes dos vegetais e a utilidade de cada um”, sugere a nutricionista.

Barganhar não é o melhor negócio

Despertar curiosidade pela comida, seja pela textura, pelo cheiro, pela forma ou pelo preparo é fundamental para o desenvolvimento do paladar. Crianças e adultos não percebem o gosto dos alimentos da mesma forma. Quanto mais nova, mais propensa a criança é a apreciar apenas os sabores mais primários, como o doce e o salgado. Com o tempo, ela aprende a gostar também dos sabores intermediários e a perceber as sutilezas no gosto de cada alimento – a suavidade do leite de soja, a refrescância de um chá gelado.

Entretanto, essa habilidade só vem com a experimentação. É por essa razão que os pais não podem desistir de oferecer alimentos variados para os filhos. “As crianças, geralmente, não gostam de comer legumes, verduras e frutas, pois não são habituadas desde pequenas”, avalia Thatiana, lembrando que é na infância que se aprende a gostar ou não de determinados sabores.

“A idéia é oferecer alimentos separadamente. Em um dia, a criança come a maçã, no outro a cenoura. Assim ela aprende o que é cada um, e o seu respectivo sabor”, ensina a nutricionista. Por outro lado, o que jamais pode ser feito é apelar para a barganha. Nada de negociar o almoço em troca da sobremesa. “Isso leva a criança a comer por obrigação. Ela sempre vai associar o alimento saudável ao ‘prêmio’, o que pode gerar graves conseqüências no futuro”, alerta Thatiana.

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