Bem de perto
Converse com as pessoas, perto do rosto, sem ter que recorrer a balinhas. O mau hálito é um problema, mas tem solução, sim.
Bem de perto
A cena não é difícil de ser imaginada: a roupa está impecável, cabelo arrumado, a conversa na ponta da língua, mas, assim que se aproxima da outra pessoa e diz algo, nem que seja um cumprimento, o problema aparece. Tudo por conta do mau hálito, uma condição que, não raro, é ignorada por quem a tem.
“O mau hálito atinge de 30% a 40% da população, causando transtornos na vida pessoal e profissional. É um problema social devido ao grande número de pessoas que sofrem dele e dos transtornos que causa.”, explica a dentista Jacqueline Palhares, da Associação Brasileira de Odontologia (ABO), que lembra que desde crianças até idosos podem ser afetados.
Também chamado de halitose (do latim: “hálito” significa expirado e “osi”, alteração), não é uma doença, mas, sim, a indicação de que algo está errado. As causas vão longe, são mais de 50, sendo que “é importante lembrar que, normalmente, o estômago não origina o problema, 90% estão relacionadas à boca”, diz a especialista. “O motivo mais comum é a diminuição do fluxo de saliva, com formação de uma placa esbranquiçada na língua chamada saburra lingual”, completa.
Questão de confiança
É difícil para quem tem halitose perceber que ela está lá. De tanto que o próprio nariz tem contato com o cheiro, acaba se “acostumando” e não percebe mais. “O odor passa a ser constante e o nariz entra no processo chamado de fadiga olfatória e, assim, é muito comum que alguém tenha mau hálito e não saiba”, diz Jacqueline.
Uma pessoa de confiança é o melhor referencial nesse caso, mas, existem também aparelhos que podem detectar o mau hálito e, até mesmo quem sofre dele, pode ficar atento a alguns sinais: “devem ser observados fatores como a língua esbranquiçada, gengiva sangrando, se há presença de dentes estragados ou boca muito seca”, orienta a dentista.
Outra ajuda, desta vez para quem está com dificuldades de falar para um conhecido que ele está com mau hálito, vem da Associação Brasileira de Estudos e Pesquisas de Odores da Boca (ABPO). Eles oferecem no seu site a ferramenta “S.O.S. Mau Hálito”. Por lá, é possível indicar o e-mail de quem sofre com halitose e a ABPO envia uma mensagem explicando do que se trata e indicando ajuda profissional e especializada em cada Estado. A única informação necessária é o nome e endereço de quem vai receber o e-mail, não é preciso nenhum tipo de identificação de quem envia.
Para falar abertamente
Fica, então, a pergunta: O mau hálito tem cura? “Gosto de falar que tem tratamento, porque uma vez que o paciente trata, deve manter os cuidados aprendidos, para que o problema não volte mais”, sentencia a especialista.
E o tratamento começa com a identificação do que está causando o mau hálito. “Depois, é feito um trabalho para aumentar o fluxo de saliva, controlar a saburra lingual, são passadas orientações sobre higiene bucal e controle do estresse e da ansiedade. Também é essencial atenção com o que se come. Uma causa importante do odor ruim na boca é a ingestão de alimentos muito condimentados e ricos em enxofre (alho e cebola, principalmente)”, orienta Jacqueline.
Mais fácil do que tratar, é evitar o problema. Confira algumas dicas:
Jejum maior do que quatro horas é prejudicial para o hálito;
Alimentos muito salgados, quentes ou com excesso de condimentos ajudam a ressecar a boca e a causar o mau hálito;
Devem ser evitados em excesso: alho, cebola, repolho (contêm enxofre); gorduras e frituras; café, refrigerantes de cola (são estimulantes), além de carne vermelha e laticínios (proteína);
Dê preferência para carne branca, leite desnatado e queijos brancos;
Coma frutas ácidas (laranja, abacaxi, maracujá etc.);
Não fume nem beba álcool;
Beba dois litros de líquidos (preferencialmente água) ao dia;
Reduza o estresse e pratique atividades físicas;
Mantenha a higiene dental (limpando a língua três vezes ao dia) e visite o dentista regularmente.


